Ler a Bíblia no capitalismo.
Esta leitura aqui não é uma leitura neutra
porque a cruz de Cristo no Gólgota não é neutra. A cruz nem o local onde ela
foi fincada, o Gólgota, é neutro, mas política e teologicamente muito bem
definida do ponto de vista da luta de classes. Qualquer projeto da periferia
colonizada que se opõe à sociedade de classes será exterminado junto com seus
autores e simpatizantes. É o silenciamento da voz da periferia colonizada. O
Evangelho anticolonialista, anticlassista e antipatriarcal do Reino de Deus
anunciado por Jesus, o Cristo, é a voz da periferia colonizada que não foi silenciada,
mas foi cooptada e absorvida durante o processo histórico da luta de classes
pela sociedade de classes depois de 313 d.C., que produziu o Cativeiro
Classista da Igreja.
Hoje falamos a partir do Cativeiro
Capitalista da Igreja.
Antes de conhecer a Bíblia temos que conhecer
o mundo da sociedade de classes em permanente luta de classes no qual vivemos. Por
quê? Porque a Bíblia é resultado da luta de classes como teoria revolucionária
de Deus para acabar com a sociedade de classes. Isso diz nos credos bíblicos. Como
é este mundo da sociedade de classes capitalista, o mundo a ser revolucionado pelo
Evangelho do Reino de Deus? A Igreja nos ensina a Bíblia, mas não nos ensina
como é o mundo no qual vivemos e para o qual devemos anunciar o Evangelho do
Reino de Deus. Pregamos a Bíblia para dentro de um mundo que não conhecemos. Aí
o Evangelho vira cachaça, que tonteia, turva e enevoa o olhar. Antes de estudar
a Bíblia temos que estudar economia política e marxismo, que vão nos revelar
como o nosso mundo classista funciona e porque ele produziu a Bíblia. A função
da Bíblia é ser teoria revolucionária de Deus para mudar e revolucionar o mundo
organizado como sociedade de classes.
Para começar temos que estudar todos os Modos
de Produção já produzidos pela humanidade para ter uma visão de totalidade:
Tribal, Tributário, Escravista, Feudal, Capitalista e a teoria marxista sobre o
comunismo. Aqui um material para baixar e poder estudar os modos de produção: https://mega.nz/file/l4Yg2YZJ#fyTBI0wOOonyYqQ9wxyCNoEwhKiMkZJUnfiw5k35nMU
Este estudo vai nos dar uma visão de totalidade do desenvolvimento da humanidade
e vai ser fundamental para também entendermos a Bíblia, que foi escrita dentro
e a partir da luta de classes que aconteceu no processo econômico de sua época.
Produzi este material e o usei nos encontros de estudo no movimento popular. É
importante conhecer a produção econômica e a estrutura social que dela
necessariamente decorre dos tempos bíblicos: Tribal, Tributário, Escravista
para entendermos o processo da luta de classes que ali ocorreu que produziu a
Bíblia como processo teórico revolucionário de resistência à sociedade de
classes colonialista para acabar com esta e construir uma sociedade sem classes
como vontade divina. Estamos tentando abordar a Bíblia de uma forma não
capitalista colonialista étnica patriarcal europeia na qual fomos treinados. Só
que não nos foi dito que a leitura da Bíblia que aprendemos era uma leitura
parcial classista capitalista colonialista étnica patriarcal cultural
ideológica europeia. Por quê? Porque a própria Igreja não sabe disso, pois vive
acorrentada numa cela escura no Cativeiro Capitalista da Igreja. Alguns até
sabem disso, mas não tem coragem de dizê-lo.
Marx[1] descobriu que
Na produção social
da sua vida, as pessoas contraem determinadas relações necessárias e
independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma
determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção
forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a
superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de
consciência social. O modo de
produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e
espiritual em geral. Não é a consciência da pessoa que determina o seu ser,
mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.
No Prefácio ao Manifesto Comunista Engels[2] nos diz qual a base real sobre a qual se constrói a sociedade.
A ideia fundamental
que atravessa todo o Manifesto – a saber, que em cada época histórica a produção econômica e a estrutura social que
dela necessariamente decorre constituem a base da história política e
intelectual dessa época; que, consequentemente (desde a dissolução da
antiga posse em comum da terra) toda a história tem sido a história da luta de
classe, de luta entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes
dominadas e classes dominantes, nos diferentes estágios do desenvolvimento
social; que essa luta, porém, atingiu atualmente um estágio em que a classe
explorada e oprimida (o proletariado) não pode mais se libertar da classe
exploradora e opressora (a burguesia) sem libertar ao mesmo tempo e para sempre
toda a sociedade da exploração, da opressão e das lutas de classes – essa ideia
fundamental pertence única e exclusivamente a Marx.
Marx escreve O
Capital para explicar a produção econômica e a estrutura social construída em
cima desta base. Não foi para passatempo, mas para dar base teórica para a luta
revolucionária da classe trabalhadora. A tarefa da Igreja é participar do
processo de construção do Reino de Deus conduzido por Jesus Cristo em sua luta
contra o reino do mundo, o capitalismo. Para essa luta a Igreja precisa
conhecer o capitalismo. “Não
ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do
Pai não está nele”; diz em 1 Jo 2.15. Não ameis o capitalismo nem as coisas que
há no capitalismo. Se alguém amar o capitalismo, o amor do Pai não está nele,
diria João hoje. O mundo é o capitalismo, nosso inimigo e inimigo de Jesus
Cristo.
A Bíblia e O Capital de Marx têm
a mesma origem: a luta de classes dentro do processo econômico de sua época. O
Capital de Marx descreve a sociedade de classes capitalista e a Bíblia descreve
o Projeto Revolucionário emancipatório de Deus para libertar a humanidade da
sociedade de classes, hoje o capitalismo. Por isso devemos ler os dois livros
que se complementam. Um, O Capital, descreve a sociedade de classes capitalista
e o outro, a Bíblia, propõe outra sociedade no lugar dela, uma sociedade sem
classes onde as pessoas são livres, iguais, santas e irmãs. A Bíblia mostra
como isto já foi feito duas vezes: no AT - Projeto da Terra Prometida - e no NT
- Projeto do Reino de Deus -, portanto a sociedade sem classes é possível,
viável e irreversível.
Foi a sociedade de classes
escravocrata que crucificou Jesus no Gólgota. Toda sociedade de classes é
inimiga de Jesus Cristo, porque ela impede de amar o próximo como a si mesmo e o
amor a Deus acima de tudo (Mc 12.29-33), por causa de sua essência: a
exploração e a expropriação de classe alicerçada na propriedade privada dos
meios de produção e no Estado. Como o patrão vai amar o peão se ele o explora
diariamente. Extorquir diariamente o mais-valor do peão não é amor, nem é amor
construir um instrumento de repressão sobre as classes subalternas, que é o
Estado. A prática é o critério da verdade. O sistema da sociedade de classes impede
a prática do amor ao próximo. Não pode haver amor ao próximo na luta de classes
permanente entre patrões e peões. Amar ou explorar o próximo não é uma questão de
decisão individual é o sistema que obriga a pessoa a seguir as leis do mercado
ou ela vai à falência. As leis do mercado são claras: o lucro é o objetivo e
ele surge da exploração das classes subalternas pela expropriação do mais-valor
gerado pela peonada. Sem esta expropriação das classes subalternas o
capitalismo não funciona. Esta é a sua essência. Esta essência impede o amor ao
próximo. Quem defende o capitalismo é inimigo de Jesus Cristo. Na sociedade de
classes sempre há a luta de classes.
Marx e Engels[3]
escrevem que
Até hoje,
a história de toda sociedade é a história das lutas de classes. Homem livre e
escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz —
em suma, opressores e oprimidos sempre estiveram em oposição, travando luta
ininterrupta, ora velada, ora aberta, uma luta que sempre terminou ou com a
reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou com o ocaso conjunto das
classes em luta.
Lênin[4] no texto sobre Karl Marx escreve
“A grande ideia fundamental - escreve
Engels - segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um conjunto de
coisas acabadas, mas como um conjunto de processos em que as coisas,
aparentemente estáveis, bem como os seus reflexos mentais no nosso cérebro, os
conceitos, passam por uma série ininterrupta de transformações, por um processo
de gênese e de perecimento, esta grande idéia fundamental penetrou, desde Hegel,
tão profundamente na consciência corrente que, sob esta forma geral, quase já
não encontra contraditores. Mas reconhecê-la em palavras e aplicá-la na
realidade concreta, em cada domínio submetido à investigação, são duas coisas
diferentes”. “Nada há de definitivo, de absoluto, de sagrado para a filosofia
dialética. Ela mostra a caducidade de todas as coisas e para ela nada mais
existe senão o processo ininterrupto do surgir e do perecer, da ascensão sem
fim do inferior para o superior, de que ela própria não é senão o simples
reflexo no cérebro pensante”. Portanto, para Marx, a dialética é a ciência das
leis gerais do movimento tanto do mundo exterior como do pensamento humano.
Hegel[5] afirma: "O verdadeiro é o todo. Mas o
todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.” Por
isso precisamos ter uma visão do todo do capitalismo como da Bíblia. Quem
não vê a totalidade não entende as partes, pois as partes se explicam pela
totalidade. Só se entende direito o texto bíblico (a parte) se a gente conhece
o todo (Projeto de emancipação da Humanidade da sociedade de classes), pois o
todo condiciona as partes. A
Bíblia é uma totalidade composta por duas totalidades: o AT e o NT, que por sua
vez se compõem de outras totalidades, que são os livros que compõe cada
Testamento, que por sua vez são compostos por muitas outras totalidades que são
as perícopes (textos bíblicos), nas quais aparece o movimento das contradições,
dos avanços, dos recuos, dos conflitos da luta de classes da sociedade que
gerou estes textos. A visão do todo facilita o entendimento das partes, das perícopes.
Lukács[6] lembra “A categoria da totalidade, o domínio
universal e determinante do todo sobre as partes constituem a essência do
método que Marx recebeu de Hegel e transformou de maneira original no
fundamento de uma ciência inteiramente nova”. Segundo Enrique Dussel[7]: "O
método dialético consiste em situar a "parte" no "todo",
como ato inverso ao efetuado pela abstração analítica". “A categoria de totalidade, a penetrante
supremacia do todo sobre as partes, é a essência do método que Marx tomou de
Hegel” nos diz Boron[8].
Esta é a tese central do marxismo.
Estrutura do capitalismo – Sociedade de classes baseada na propriedade
privada dos meios de produção, circulação e distribuição que gera as classes
sociais: proprietários e não proprietários, que estão em luta de classes
permanente por causa da exploração e da expropriação de classe, tudo legitimado
pelo Estado e pela ideologia. A base do capitalismo é a propriedade privada dos
meios de produção e o Estado, construído pela classe proprietária em defesa de
seus interesses de classe.
Três classes básicas: Trabalhadora, Camponesa, Capitalista e Povos originários.
Luta de classes permanente entre as classes em conflito.
Tripé do capitalismo: Propriedade Privada – trabalho assalariado – concorrência. Este tripé será derrotado pelo Tripé do Movimento de Massas: 1) Trabalho de Base, 2) Formação e 3) Lutas, composto pelos Partidos políticos de esquerda (comunistas), pelo Movimento Sindical, pelo Movimento Popular, pelo Movimento Popular Específico (mulheres, negros, indígenas e comunidade LGBTQIA+), pelas ONGs de esquerda, pelo Movimento dos povos originários e quilombolas e pelos setores de esquerda das Igrejas.
A classe não proprietária é obrigada a se prostituir ao vender seu corpo por salário para gerar prazer para o patrão pelo mais-valor produzido.
Coggiola[9] diz que
O salário mantém a ficção de que o
capitalista comprou apenas as operações da máquina, quando o que comprou, na
verdade, é a própria máquina, a força de trabalho do operário, que deixou de
lhe pertencer pelo período em que a vendeu ao capital, por ser aquela uma
mercadoria que possui a característica única de criar mais valores do que
aqueles necessários para produzi-la (e reproduzi-la): a diferença entre essas
duas magnitudes é a mais-valia embolsada pelo capitalista.
Objetivo do capitalismo: Lucro pela produção do mais-valor pelas classes subalternas pela produção de mercadorias.
No estágio
atual o capitalismo se reproduz principalmente pela especulação financeira a
nível global.
Estado como instrumento da classe capitalista para legalizar a repressão, a exploração e expropriação de classe.
Ideologia (jeito de pensar produzida pela classe capitalista imposta ao povo para legitimar o capitalismo) para manter a ordem imaginada pela classe capitalista.
Religião (cristianismo) como aparelho ideológico do sistema. “Hegel afirmava que a "religião é o fundamento do Estado"”[10], capitalista, é claro. A religião sempre defende o Estado, o Evangelho quer extinguir o Estado e a estrutura de classes que o construiu (Rm 12.2; Js 8; Ap 18).
Pequena burguesia conservadora local é o longo braço estendido do capital internacional no Município que controla todas as instituições locais, também as Igrejas.
Segundo Nancy Fraser[11] o termo capitalismo é usado para representar um tipo de sociedade e um "sistema econômico baseado na propriedade privada e em trocas comerciais, no trabalho assalariado e na produção que visa o lucro", mas ela ainda amplia estes conceitos afirmando que o
“Capitalismo” ...
designa ... uma ordem social que autoriza uma economia movida pelo lucro a
predar os apoios extraeconômicos de que necessita para funcionar: a riqueza
expropriada da natureza e dos povos sujeitados; as múltiplas formas do trabalho
de cuidado, que enfrenta uma desvalorização crônica — isso quando não é
inteiramente rejeitado —; os bens e os poderes públicos que o capital exige e,
ao mesmo tempo, tenta restringir; a energia e a criatividade do povo
trabalhador.
Nancy Fraser[12] em artigo: O que é capitalismo? diz:
O capital depende,
em suma, da “natureza” – primeiro, das substâncias específicas apropriadas
diretamente pela produção; e segundo, das condições ambientais gerais, tais
como ar respirável, água potável, solo fértil, níveis do mar relativamente
estáveis, um clima habitável e assim por diante. ... Pela sua própria
concepção, a sociedade capitalista incentiva os proprietários a tratar a
natureza como um tesouro “não econômico” inesgotável, disponível para ser
apropriado infinitamente, sem necessidade de reposição ou reparo, na suposição
de que ele se autorregenera.
Federici[13]
diz que “o corpo é a última fronteira do capital, ... mulheres produzem pessoas
para o trabalho e para serem soldados. ... Essa tem sido a tarefa atribuída às
mulheres: produzir para o mercado e produzir as pessoas”. Produzir as pessoas
para o mercado. Leopoldina Fortunati[14]
acrescenta
As mulheres não
estão apenas no centro da vida, mas também são cruciais para o funcionamento
deste sistema econômico. Consequentemente, não é possível mudar o mundo,
revolucionar o sistema, sem incluir, aliás, sem dar destaque às mulheres. As
mulheres são sujeitos políticos: elas detêm o poder mais forte e radical para a
transformação da sociedade, porque a produção e a reprodução da mercadoria mais
preciosa para o sistema capitalista — a força de trabalho — dependem delas.
Para dentro desta realidade lemos a Bíblia,
que exige ruptura com esta realidade. Dentro desta estrutura capitalista temos
a conjuntura brasileira. A estrutura é sempre a mesma: a sociedade de classes
alicerçada na propriedade privada dos meios de produção garantida pelo Estado,
o que muda é a conjuntura internacional, nacional e local determinadas pela
luta de classes.
Precisamos aprender a conhecer a estrutura do
capitalismo e aprender fazer análise de conjuntura da América Latina, do
Brasil, de nosso Estado da Federação, do nosso município e da Igreja à qual
pertencemos.
Leitura
europeia da Bíblia
A leitura parcial classista capitalista
colonialista patriarcal política étnica ideológica cultural europeia da Bíblia
é o referencial na Igreja. A Bíblia é interpretada na Igreja a partir desta
leitura. Fomos educados nesta leitura como sendo a única leitura da Bíblia e da
realidade possível, como uma leitura neutra da Bíblia. Não existe leitura
neutra, não parcial, não classista, não étnica, não cultural, não ideológica,
não política e não sexista da Bíblia. As filosofias do capitalismo: idealismo,
cartesianismo, positivismo e liberalismo condicionam a nossa leitura bíblica.
Marx lembra: “O modo de produção da vida
material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral.”
O papel da Bíblia é ser teoria revolucionária
de Deus, que anuncia a emancipação da humanidade pela construção de uma
sociedade sem classes, através das classes subalternas, as escolhidas por Deus,
pela extinção da propriedade privada dos meios de produção e do Estado, e
anuncia o fim da morte eterna. A periferia colonizada anuncia um novo projeto
de sociedade e constrói a sociedade sem classes e anuncia o fim da morte eterna
através de Jesus Cristo. A libertação vem da periferia colonizada, a escolhida
por Deus desde o AT, para emancipar a Humanidade da sociedade de classes. Do centro
do poder imperial só vem opressão, também hoje é o que mostram as tarifas
impostas pelo Trump.
O Evangelho de Jesus Cristo é a teoria revolucionária
anticolonialista, anticlassista e antipatriaracal do Reino de Deus concebida
pelo indígena da classe camponesa palestina. É a voz do colonizado vencido e
saqueado que propõe uma sociedade não classista, não colonialista e não
patriarcal que o sistema procurou silenciar na cruz. As vozes e os projetos de
sociedade dos colonizados precisam ser silenciados. A Bíblia é o grito do
colonizado saqueado que se recusa ao silêncio ao propor uma sociedade sem
classes como projeto anticolonialista. A forma de silenciar esta voz colonizada
rebelde e insurgente é a leitura colonialista europeia da Bíblia. O colonizador
diz ao colonizado como Deus é e como a Bíblia deve ser lida segundo a visão e
os interesses do colonizador. Isto ele chama de uma leitura neutra da Bíblia e
a pura pregação da Palavra de Deus como Lei e Evangelho.
Aprendemos que Deus é conforme a construção
europeia capitalista colonialista patriarcal e étnica de Deus. As pinturas de
Jesus são de um europeu branco. Jesus era um indígena sem terra artesão civil
leigo palestino asiático da classe camponesa crucificado pelo colonialismo
escravocrata europeu. Em Jesus de Nazaré Javé se fez classe camponesa
colonizada vencida para acabar com a sociedade de classes, esta é a opção, o
lado e o partido de Javé. Agora os colonialistas europeus, que crucificaram
Jesus, nos dizem quem é Jesus e como é seu Evangelho. Na Conquista usaram a
cruz como espada para impor o colonialismo escravocrata. Aprendemos a ler a
Bíblia segundo a construção capitalista colonialista europeia de Deus. A Bíblia
surgiu na luta de classes contra a construção colonialista da sociedade, ela é
anticolonialista, anticlassista e antipatriarcal (hoje antiimperialista). A
pura pregação da Palavra de Deus está conspurcada pela leitura capitalista
colonialista europeia que legitima a expropriação de classe. A palavra que
liberta virou palavra que escraviza e esconde o projeto de Deus que quer
libertar a humanidade da sociedade de classes e da morte eterna. O projeto
concreto de libertação da humanidade é espiritualizado e individualizado para
não ameaçar a sociedade de classes. A teoria revolucionária de Deus, a Bíblia,
virou “ópio religioso que embrutece o povo”, segundo Lênin[15]. A Bíblia está permanentemente em disputa
dentro da luta de classes. E como disse o bilionário Warren Buffett[16]
“a luta de classes existe, mas é a minha classe, a classe rica que está fazendo
a guerra, e nós estamos ganhando”.
A classe capitalista controla administrativa
e teologicamente a Igreja através da pequena burguesia conservadora urbana e
rural local que administra as comunidades e paróquias impondo a leitura
colonialista europeia da Bíblia. A pequena burguesia conservadora urbana e
rural local é o longo braço estendido do capital internacional no local, que ao
defender seus interesses econômicos, políticos e ideológicos locais ao mesmo
tempo defende o capitalismo como tal. A pequena burguesia são os capitalistas
com pouco capital que trabalham ao lado de seus peões, além de profissionais
liberais e alguns funcionários do Estado melhores remunerados. Os capitalistas
impõem a sua leitura da realidade e da Bíblia como a única possível com o objetivo
de evitar fissuras no tecido social e garantir a extração do mais-valor de seus
peões. A Igreja não se dá conta disso porque vive no Cativeiro Capitalista
iludida pela leitura capitalista colonialista imposta pelo capitalismo europeu-estadunidense.
Ex: Gn 11.1-9 + Mt 25.14-30 - Leitura
colonialista europeia.
Para entender a Bíblia tem que estudar
Economia Política e Marxismo para ter uma visão do todo, de totalidade.
É a economia que rege a teologia, pois o
processo do Êxodo começa pela economia (trabalho escravo e latifúndio) e
culmina com uma nova economia: a sociedade sem classes alicerçada na posse,
controle e usufruto coletivo dos meios de produção (Nm 26.52-56) nas montanhas
da Palestina. A Bíblia é resultado do processo econômico ligado à luta de
classes para mudar o processo econômico que vai eliminar a sociedade de classes
pela extinção da propriedade privada dos meios de produção e do Estado. No NT é
a mesma coisa: a fé na ressurreição do Senhor Jesus leva à extinção da propriedade
privada dos meios de produção dentro de um processo de construção de uma
sociedade sem classes onde as pessoas são irmãs, livres, iguais e santas, que
Jesus chama de Reino de Deus (At 4.32-37). A teologia está intimamente ligada à
economia política, por isso é fundamental estudá-la.
No NT a economia escravista colonialista
(controlada pelo latifúndio) crucifica Jesus através do Estado, instrumento da
economia, e a reação de Deus é ressuscitar Jesus com o corpo para mostrar que o
processo econômico escravista foi vencido, pois agora vale um novo processo
econômico: a sociedade sem classes onde a propriedade privada dos meios de
produção foi extinta como exigência da vida eterna e do discipulado de Jesus
(Mt 19.16-22) e como testemunho da ressurreição do corpo de Jesus (At 4.33). A
fé na ressurreição de Jesus Cristo leva à construção de uma sociedade sem
classes. A fé na ressurreição de Jesus Cristo exige a ruptura com a sociedade
de classes que crucificou Jesus e continua crucificando as classes subalternas.
Hoje isso continua da mesma forma é a
economia que rege a teologia: é a pequena burguesia conservadora urbana e
rural, para defender seus interesses econômicos, políticos e ideológicos
individuais locais, que controla a administração das comunidades e das
paróquias e com isso impõe a sua teologia: a teologia do deus Capital com
máscara de Jesus Cristo, para garantir a reprodução do capitalismo a nível
mundial. Por isso a Igreja vive no Cativeiro Capitalista onde somente a leitura
capitalista colonialista europeia da Bíblia é permitida e é entendida como a
pura pregação da Palavra de Deus. Quem fizer outra leitura da Bíblia vai para a
cruz como Jesus. Não literalmente, mas é expulso da paróquia como um maldito
herege por blasfemar contra o deus Capital com máscara de Jesus Cristo. Atacar
o capitalismo é como atacar a Jesus Cristo. A prática dos adoradores é o
critério da verdade: vivem conforme as dinâmicas opressoras do deus Capital,
afirmando que só o capitalismo é possível, e dizendo que crêem em Jesus Cristo.
O testemunho não condiz com a prática, portanto é falso e mentiroso.
A Chave de Leitura da Bíblia.
Onde está o ‘todo’ da Bíblia? Nos credos que
expõem a essência da fé em Deus: O Projeto Político Revolucionário de Deus para
emancipar a Humanidade da escravidão da sociedade de classes e da escravidão da
morte eterna. Lukács[17] lembra “A categoria da totalidade, o domínio
universal e determinante do todo sobre as partes constituem a essência do
método que Marx recebeu de Hegel”.
Hegel[18] afirma: "O verdadeiro é o todo. Mas o
todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.” Os
credos são um resumo da fé em Deus e revelam o Projeto Político de Deus para a
Humanidade. A Bíblia tem que ser lida sob a luz dos credos bíblicos que nos
mostra o todo do Projeto Político Revolucionário de Deus para a Humanidade. A
Bíblia, produzida dentro do processo histórico da luta de classes pelas classes
colonizadas vencidas, é a teoria revolucionária de Deus para animar na luta
contra a sociedade de classes no processo de construção de uma sociedade sem
classes, que Jesus chama de Reino de Deus. A Bíblia é o Projeto da voz dos
colonizados contra os colonizadores, ela é anticlassista, anticolonialista e
antipatriarcal.
Os Credos bíblicos:
Nós
éramos escravos de Faraó, no Egito, mas o SENHOR nos tirou de lá com mão
poderosa. Diante dos nossos olhos o SENHOR fez sinais e maravilhas, grandes e
terríveis, contra o Egito e contra Faraó e toda a sua casa. Ele nos tirou do
Egito, para nos trazer e nos dar a terra que, sob juramento, prometeu aos
nossos pais. Dt 6.21-23
Antes
de tudo, entreguei a vocês o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos
pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro
dia, segundo as Escrituras. 1 Co 15.3-4
Os dois credos mostram a exigência de ruptura
pela insurgência contra a sociedade de classes:
- Êxodo rompe com a sociedade de classes ao
enfrentar o Estado (egípcio e palestino) e o elimina e constrói a posse e o usufruto
coletivo dos meios de produção: a terra, e com isso a liberdade. Só há
liberdade se os meios de produção são de posse, controle e usufruto coletivo.
- Cruz/Ressurreição rompe com a sociedade de
classes, que crucificou Jesus, ao enfrentar o Estado e o Templo do Estado com a
ressurreição de Jesus Cristo. Deus reverte uma ordem do Estado ao ressuscitar o
corpo de Jesus da morte. A comunidade como testemunho da ressurreição de Jesus
elimina a propriedade privada dos meios de produção e com isso a sociedade de
classes. A fé e o testemunho da ressurreição de Jesus Cristo leva à construção
de uma sociedade sem classes, que Jesus chama de Reino de Deus.
Nos dois credos a classe camponesa é o
instrumento usado para a libertação da escravidão da sociedade de classes e da
escravidão da morte. Não basta libertar da escravidão da sociedade de classes
se persiste a escravidão da morte. Deus quer a libertação total da humanidade.
No AT a classe camponesa egípcia e palestina e no NT a classe camponesa
palestina através do indígena camponês sem terra artesão leigo civil
anticolonialista Jesus de Nazaré, o Cristo, são o caminho usado por Deus dentro
da luta de classes para acabar com a sociedade de classes. Paulo fala da opção
de Deus pelas classes subalternas: “Deus escolheu as coisas humildes do mundo,
e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;” 1 Co
1.28.
A luta de classes produziu a Bíblia: classe
camponesa contra as classes proprietárias: a classe-Estado e a classe
escravocrata, como teoria revolucionária de Deus dentro da luta de classes para
eliminar toda sociedade de classes em todos os tempos.
A
origem da Bíblia está no
processo histórico da luta de classes contra o colonialismo (egípcio e romano)
nos contam os credos bíblicos: (AT - Dt 6.20-23: Êxodo e NT - 1 Co 15.3-4:
Cruz/Ressurreição). Um credo apresenta a essência da fé: cremos num Deus que se
insere no processo histórico da luta de classes para eliminar a sociedade de
classes pelas classes subalternas, no já agora, até a ressurreição do corpo, no
depois. A inserção de Javé na luta de classes produziu a Bíblia. A Bíblia é o
resultado da luta de classes porque quer acabar com a sociedade de classes, é o
que dizem os credos bíblicos, que nos dão uma visão do todo, de totalidade do
Projeto de Deus para emancipar a Humanidade da sociedade de classes. Os credos
revelam o seu cerne anticolonialista, anticlassista e o NT acrescenta o
antipatriarcalismo da Bíblia (Gl 3.28). Nos credos a Bíblia mesma se
interpreta. O credo é um resumo da essência do conteúdo da fé em Deus e da
Bíblia. As perícopes da Bíblia devem ser lidas sob a luz dos conteúdos destes credos,
assim se situa a "parte" no "todo". É o todo que explica as
partes dentro de suas contradições. Ao se entender o todo (o Projeto
revolucionário de Deus para emancipar a humanidade da sociedade de classes e da
morte eterna) as partes, as perícopes, vão liberar conteúdos não vistos antes.
As pessoas perdedoras, as vencidas, as
massacradas, as desprezadas, as marginalizadas, as da periferia da periferia,
as não cidadãs são os as atrizes e atores da Bíblia que se tornaram vencedores,
pois seus sonhos e esperanças vivem até hoje no novo projeto de sociedade
construído a partir da luta de classes na qual estavam inseridos que está no
texto Bíblico. A classe dominante treme apavorada diante deste projeto da sociedade
sem classes que Deus constrói a partir das lutas de resistência destes atores
sociais, que aparentemente vencidos apontam para a vitória de sua luta a ser
construída pelas classes subalternas no futuro. Este fantasma ronda a classe
dominante até hoje. Por isso esta, por uma questão de sua própria
sobrevivência, precisa calar a voz destes vencidos e colonizados, acabar com
seus sonhos e esvaziar este Projeto de Deus construído a partir das pessoas
colonizadas do passado, do presente e do futuro. Desde quando Deus age através
dos vencidos? gritam os opressores. Três mil anos e este Projeto que germinou
nas lutas de classes do passado continua rondando pelo mundo e tirando o sono
dos opressores, que não vacilam em matar para manter a sua hegemonia sobre a
sociedade de classes e para esvaziar o sonho de Deus para a humanidade: uma
sociedade sem classes de pessoas livres, iguais, irmãs e santas. A classe
dominante não pode admitir que Deus constrói o seu Projeto para a Humanidade a
partir dos vencidos da periferia do mundo, que com isso se tornam vencedores.
Por isso é fundamental para ela controlar a leitura da Bíblia para afastar este
fantasma que ronda o nosso mundo: a sociedade sem classes, que segundo Deus é irreversível.
Por isso até hoje soa o grito: “Proletários de todos os países, unam-se!” Deus
está convosco! Javé é o motor da luta de classes.
O Projeto Político emancipatório da Terra
Prometida.
O Programa
Classista de Luta Revolucionária de Javé no AT, segundo o credo histórico da
classe camponesa sem terra hebreia (hapiru) escrava em Dt 6.20-23 (Dt 26.5-9),
se caracteriza por Javé ter iniciado (Êx 3.7-9) a organização do processo de
libertação dos camponeses sem terra escravos hebreus (uma classe social, não
uma etnia) a partir da motivação das lideranças dos camponeses escravos (Êx
3.16) para enfrentar o Estado colonialista egípcio (Êx 5), cuja classe
politicamente dominante controlava a terra (Gn 47.13-26) e a religião (Gn
47.22, 26). Javé motivou e animou a organização e a resistência dos camponeses
sem terra escravos hebreus (Êx 3) e conduziu com mão forte (Êx 3.19) o processo
da luta de classes (Êx 7-11), a partir, com e ao lado da classe camponesa, para
garantir a saída desta da escravidão do Egito (Êx 1-15). Depois, após uma
peregrinação no deserto, que serviu como processo de aprendizagem, se construiu
a Revolução Agrária que conquistou a Terra Prometida nas montanhas da Palestina
(Js 6-8; Jz 1) ao tomar o poder político das cidades-Estado e extinguir o
Estado (Js 8). Após essa ação se construiu uma sociedade sem classes sociais de
pessoas livres alicerçada no controle, na posse e no usufruto coletivo da terra
pelas tribos (Nm 26.52-56) ao extinguir a propriedade privada da terra (Lv
25.23; Sl 24.1), garantindo a liberdade do povo. Ao extinguir o Estado (a
cidade-Estado), com o fim da propriedade privada da terra e das classes
sociais, é destruído também o templo da cidade, como religião do Estado, e foi
construído apenas um altar (Js 8.30) com pedras não trabalhadas com o ferro, a
tecnologia do ferro era dominada pelos cananeus (1 Sm 13.19-21). O altar
dedicado à Javé não deve ser conspurcado pela tecnologia dos povos cananeus das
cidades-Estado adoradores de Baal, pois eram sociedades de classes. Apesar de
que, depois como antes, o chamado Povo de Israel pela monarquia, era politeísta
(2 Cr 34.3-7; 2 Rs 23.4-20; Js 24.2, 15). O Poder Popular é exercido na Assembleia
Popular (Nm 27.1-11).
O Projeto Político emancipatório do Reino de
Deus.
A leitura classista,
política e unilateral do NT, a partir da cruz de Cristo (1 Co 15.3-4) e do
ponto da vista das classes subalternas, espoliadas e colonizadas pelo Império escravocrata
Romano e pelo Templo de Jerusalém (1 Co 4.9-13; 2 Co 11.21-33), mostra que o
Evangelho anunciado e vivido pela Igreja de Jesus Cristo, a partir da comunhão
dos santos, propõe uma sociedade sem classes sociais (Mt 23.8; Gl 3.28 [não
pode haver ... nem escravo nem liberto]; 1 Ts 5.25-27; Gl 5.1; Cl 3.9-11; Lc
4.18) onde as pessoas são irmãs, iguais e livres. Isso se viabiliza pela
extinção da propriedade privada dos meios de produção com a autoexpropriação dos
expropriadores - a classe proprietária - (At 4.32-37; 2.42-47) como exigência
da vida eterna e do discipulado de Jesus Cristo (Mt 19.16-22). Junto se
extingue a opressão, a exploração e a expropriação de classe (Mt 25.14-30), não
há mais opressão cultural, étnica e de gênero e o patriarcado é extinto (Gl
3.28; Cl 3.9-11). Esta nova sociedade sem classes, construída pelas novas criaturas
(2 Co 5.17) sob a orientação de Jesus Cristo se chama de Reino de Deus (Lc
4.43; 16.16; Lc 17.20-21). Ali não tem Estado (Mc 1.1; Rm 13.8; Ap 18; 21-22) e
nem templo, como Religião do Estado (Mt 24.1; Jo 2.19-22; Ap 21.22), mas tem o
sacerdócio geral de todos os santos (1 Pe 2.5,9). O Poder Popular é exercido na
Assembleia Popular: At 6.1-7; At 15.
O todo.
A Bíblia (AT - Antigo Testamento
e NT - Novo Testamento) tem um projeto político revolucionário planetário central
fixado nos credos (confissões de fé) bíblicos (AT - Dt 6.20-23: Êxodo e NT - 1
Co 15.3-4: Cruz), o todo (o grande guarda chuva debaixo do qual estão os livros
e os textos bíblicos, condicionados por este todo), que é: emancipar (salvar,
libertar) a humanidade da sociedade de classes (hoje o capitalismo), pois ela é
geradora da morte em vida pela exploração, pela expropriação, pela escravidão
de classe e pela destruição da criação de Deus. A sociedade de classes está
alicerçada no pecado estrutural (Mt 1.21) da propriedade privada dos meios de
produção (terras do latifúndio, fábricas, minas, máquinas – Gn 47.13-26; 1 Rs
21[1-3]; Lv 25.23), de circulação (empresas de transporte de carga e de
pessoas) e de distribuição (grande comércio, mercados, bancos) controlados
pelos patrões, hoje a classe capitalista. A propriedade privada dos meios de
produção gera as classes sociais (proprietários [patrões] e não proprietários
[peões]), que se envolvem numa luta de classes permanente, resultado da
exploração, da expropriação e da repressão de classe e da opressão política
sobre as classes subalternas (trabalhadores e camponeses e povos originários).
A classe proprietária (os patrões) construiu o Estado, para a defesa de seus
interesses de classe, e gerou ainda o patriarcado (dominação do homem sobre a mulher
que criou a desigualdade e a opressão de gênero) e as injustiças e as ganâncias
(Am 2.6-8), que derivam de uma sociedade de classes. Esta emancipação da
sociedade de classes proposta pela Bíblia, é para o já agora (essa é a insurgência
bíblica), e, para o depois, a Bíblia propõe salvar, por graça e fé (Ef 2.8), a
humanidade da morte eterna pela ressurreição do corpo para a vida eterna do
corpo ressurreto (1 Co 15), como consta nos credos da fé bíblica (AT - Dt
6.20-23 e NT - 1 Co 15.3-4).
Todo o processo do Êxodo, descrito no credo
de Dt 6.20-23, compreende a luta de classes no Egito (Gn 47.13-26; Êx 3; 5),
não só contra o Estado egípcio, mas contra o modo de produção tributário no
Egito e na Palestina, no processo da caminhada pelo deserto, como processo de
aprendizagem e acúmulo de forças, que culmina com a tomada do poder político do
Estado e sua extinção pela classe camponesa (Js 8) e a consequente conquista da
terra, pela extinção da propriedade privada da terra (Lv 25.23), como posse,
controle e usufruto coletivo, pela tribo, (Nm 26.52-56) e com isso a conquista
da liberdade. A liberdade se conquista com o fim da sociedade de classes. O
credo mostra o que Deus quer para a humanidade hoje: extinguir a sociedade de
classes pela extinção da propriedade privada dos meios de produção, do Estado e
do patriarcado.
Para viabilizar o Projeto
emancipatório de Deus a Bíblia, como teoria insurgente e revolucionária de
Deus, propõe uma ruptura radical (não uma reforma social democrata, mas uma
revolução – Dt 6.20-23; Js 8) com a sociedade de classes (Mc 1.15) através da
extinção, pelas classes subalternas (Êx 3; 1 Co 1.27-28), da base de toda
sociedade de classes (porque pela fé e pelo batismo somos irmão e irmã - Mt
23.8 - não patrão e peão), que é a propriedade privada dos meios de produção,
de circulação e de distribuição, o pecado
estrutural (Lv 25.23; At 4.32-37; Mt 19.16-22), que geram as classes
sociais (proprietários e não proprietários – Mt 25.14-30), que produzem a
exploração e a expropriação de classe (1 Rs 21; 4.20-28), a opressão política
(Is 1.21-23), o patriarcado (Gn 16; 21; 38), o Estado (1 Sm 8.10-18; 1 Sm 11.7,
15) e o Templo, como religião do Estado (Am 7.13). O Estado foi construído pela
classe proprietária (os patrões) expropriadora das classes subalternas [as
classes não proprietárias – trabalhadora e camponesa] (Gn 11.1-9; 47.13-26; 1
Sm 11[5-7]) para garantir a legitimidade e a reprodução da sociedade de classes,
junto com o Templo, como religião do Estado (1 Rs 5-6; Am 7.13), como “ópio religioso
que embrutece o povo”, segundo Lênin[19].
Os meios de produção, pela
(auto)expropriação dos expropriadores (Mt 19.21-22) como exigência da vida
eterna e do discipulado de Jesus, serão colocados sob controle, posse e
usufruto coletivo, popular (Nm 26.52-56; At 4.32-37), para acabar com a
exploração e a expropriação de classe, que geram a pobreza, a miséria e a
desumanização do ser humano. Isso extingue a sociedade de classes, a pobreza e
o caos social por ela gerado. Extingue também a exploração e a expropriação de
classe e a opressão política, cultural, étnica e de gênero (Gl 3.28), junto com
a violência, as desigualdades e as injustiças (Is 1.21-23) geradas por esta
(hoje o capitalismo).
Literatura básica para
baixar do site: https://pt.z-lib.fm/
Manifesto do Partido Comunista -
Karl Marx e Friedrich Engels
Do Socialismo Utópico ao
Socialismo Científico - Friedrich Engels
Teoria econômica marxista -
Osvaldo Coggiola
Capitalismo Canibal - Nancy
Fraser
O Estado e a Revolução - Lênin
O Projeto Político Revolucionário
Global de Deus para a Humanidade - Günter Adolf Wolff
[1] MARX, Karl. Prefácio à “Contribuição à Crítica da Economia Política” in Karl Marx e Friedrich Engels. Textos, vol. III. Edições Sociais. São Paulo. 1977, p. 301
[2] ENGELS. Friedrich. Prefácio à edição alemã de 1883 do Manifesto Comunista in Manifesto do Partido Comunista. Vozes. Petrópolis. 1988, p. 45-46
[3] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo. Companhia das Letras. 2012, p. 30
[4] LENINE, V.I. Karl Marx in Obras Escolhidas, vol.1. 3ª ed. São Paulo. Editora Alfa-Omega, 1986, p. 9-10, 12-13
[5] HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis/Bragança Paulista, Vozes/Editora Universidade São Francisco, 2008, p. 36.
[6] LUKÁCS, Georg. Rosa
Luxemburgo como marxista in História e Consciência de classe. São Paulo. Martins
Fontes. 2003, p. 105
[7] DUSSEL, Enrique. A
produção teórica de Marx. Um comentário aos Grundrisse. São Paulo. Expressão
Popular. 2012, p. 53
[8] BORON, Atilio A. Pelo Necessário (e demorado) retorno ao marxismo in A teoria marxista hoje. Problemas e perspectivas. BORON, Atilio A., AMADEO, Javier, GONZÁLEZ, Sabrina, Org. São Paulo. Expressão Popular. 2006, p. 47
[9] COGGIOLA, Osvaldo. História do Capitalismo - das Origens até a Primeira Guerra Mundial. São Paulo. Ariadna Universitária. 2015, p. 21
[10] DUSSEL, Enrique. 1492. O encobrimento do outro. (A origem do "mito da Modernidade"). Petrópolis, Vozes. 1993, p. 59
[11] FRAZER, Nancy. Capitalismo canibal. São Paulo. Autonomia Literária. 2024, p. 16
[12] MONTICELI, Lara. Nancy Fraser: O que é capitalismo? in https://blogdaboitempo.com.br de 24/09/2021
[13] GAMA. Thiago. O corpo é a última fronteira do capital. Entrevista com Silvia Federici in https://www.ihu.unisinos.br de 29/06/2026
[14] FORTUNATI, Leopoldina. El arcano de la reproducción Amas de casa, prostitutas, obreros y capital. Madrid. Traficantes de Sueños. 2019, p. 14-15
[15] LENINE, V.I. O estado e a revolução in Obras Escolhidas, vol 2. São Paulo. Editora Alfa-Omega. 1980, p. 277
[16] COMUNELLO, Patrícia. Uma sociedade menos desigual é melhor para todos, diz professor Cattani in https://cpca.org.br/ma-sociedade-menos-desigual-e-melhor-para-todos-diz-professor-cattani/ de 04/04/2018
[17] LUKÁCS, Georg. Rosa
Luxemburgo como marxista in História e Consciência de classe. São Paulo. Martins
Fontes. 2003, p. 105
[18] HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis/Bragança Paulista, Vozes/Editora Universidade São Francisco, 2008, p. 36.
[19] LENINE, V.I. O estado e a revolução in Obras Escolhidas, vol 2. São Paulo. Editora Alfa-Omega. 1980, p. 277
