26 de julho de 2026

Ler a Bíblia na Sociedade de Classes em permanente Luta de Classes.

 

Ler a Bíblia no capitalismo.

 

Esta leitura aqui não é uma leitura neutra porque a cruz de Cristo no Gólgota não é neutra. A cruz nem o local onde ela foi fincada, o Gólgota, é neutro, mas política e teologicamente muito bem definida do ponto de vista da luta de classes. Qualquer projeto da periferia colonizada que se opõe à sociedade de classes será exterminado junto com seus autores e simpatizantes. É o silenciamento da voz da periferia colonizada. O Evangelho anticolonialista, anticlassista e antipatriarcal do Reino de Deus anunciado por Jesus, o Cristo, é a voz da periferia colonizada que não foi silenciada, mas foi cooptada e absorvida durante o processo histórico da luta de classes pela sociedade de classes depois de 313 d.C., que produziu o Cativeiro Classista da Igreja.

Hoje falamos a partir do Cativeiro Capitalista da Igreja.

Antes de conhecer a Bíblia temos que conhecer o mundo da sociedade de classes em permanente luta de classes no qual vivemos. Por quê? Porque a Bíblia é resultado da luta de classes como teoria revolucionária de Deus para acabar com a sociedade de classes. Isso diz nos credos bíblicos. Como é este mundo da sociedade de classes capitalista, o mundo a ser revolucionado pelo Evangelho do Reino de Deus? A Igreja nos ensina a Bíblia, mas não nos ensina como é o mundo no qual vivemos e para o qual devemos anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Pregamos a Bíblia para dentro de um mundo que não conhecemos. Aí o Evangelho vira cachaça, que tonteia, turva e enevoa o olhar. Antes de estudar a Bíblia temos que estudar economia política e marxismo, que vão nos revelar como o nosso mundo classista funciona e porque ele produziu a Bíblia. A função da Bíblia é ser teoria revolucionária de Deus para mudar e revolucionar o mundo organizado como sociedade de classes.

Para começar temos que estudar todos os Modos de Produção já produzidos pela humanidade para ter uma visão de totalidade: Tribal, Tributário, Escravista, Feudal, Capitalista e a teoria marxista sobre o comunismo. Aqui um material para baixar e poder estudar os modos de produção: https://mega.nz/file/l4Yg2YZJ#fyTBI0wOOonyYqQ9wxyCNoEwhKiMkZJUnfiw5k35nMU Este estudo vai nos dar uma visão de totalidade do desenvolvimento da humanidade e vai ser fundamental para também entendermos a Bíblia, que foi escrita dentro e a partir da luta de classes que aconteceu no processo econômico de sua época. Produzi este material e o usei nos encontros de estudo no movimento popular. É importante conhecer a produção econômica e a estrutura social que dela necessariamente decorre dos tempos bíblicos: Tribal, Tributário, Escravista para entendermos o processo da luta de classes que ali ocorreu que produziu a Bíblia como processo teórico revolucionário de resistência à sociedade de classes colonialista para acabar com esta e construir uma sociedade sem classes como vontade divina. Estamos tentando abordar a Bíblia de uma forma não capitalista colonialista étnica patriarcal europeia na qual fomos treinados. Só que não nos foi dito que a leitura da Bíblia que aprendemos era uma leitura parcial classista capitalista colonialista étnica patriarcal cultural ideológica europeia. Por quê? Porque a própria Igreja não sabe disso, pois vive acorrentada numa cela escura no Cativeiro Capitalista da Igreja. Alguns até sabem disso, mas não tem coragem de dizê-lo.

Marx[1] descobriu que

 

Na produção social da sua vida, as pessoas contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência da pessoa que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.

 

No Prefácio ao Manifesto Comunista Engels[2] nos diz qual a base real sobre a qual se constrói a sociedade.

 

A ideia fundamental que atravessa todo o Manifesto – a saber, que em cada época histórica a produção econômica e a estrutura social que dela necessariamente decorre constituem a base da história política e intelectual dessa época; que, consequentemente (desde a dissolução da antiga posse em comum da terra) toda a história tem sido a história da luta de classe, de luta entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes dominadas e classes dominantes, nos diferentes estágios do desenvolvimento social; que essa luta, porém, atingiu atualmente um estágio em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) não pode mais se libertar da classe exploradora e opressora (a burguesia) sem libertar ao mesmo tempo e para sempre toda a sociedade da exploração, da opressão e das lutas de classes – essa ideia fundamental pertence única e exclusivamente a Marx.

 

Marx escreve O Capital para explicar a produção econômica e a estrutura social construída em cima desta base. Não foi para passatempo, mas para dar base teórica para a luta revolucionária da classe trabalhadora. A tarefa da Igreja é participar do processo de construção do Reino de Deus conduzido por Jesus Cristo em sua luta contra o reino do mundo, o capitalismo. Para essa luta a Igreja precisa conhecer o capitalismo. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”; diz em 1 Jo 2.15. Não ameis o capitalismo nem as coisas que há no capitalismo. Se alguém amar o capitalismo, o amor do Pai não está nele, diria João hoje. O mundo é o capitalismo, nosso inimigo e inimigo de Jesus Cristo.

A Bíblia e O Capital de Marx têm a mesma origem: a luta de classes dentro do processo econômico de sua época. O Capital de Marx descreve a sociedade de classes capitalista e a Bíblia descreve o Projeto Revolucionário emancipatório de Deus para libertar a humanidade da sociedade de classes, hoje o capitalismo. Por isso devemos ler os dois livros que se complementam. Um, O Capital, descreve a sociedade de classes capitalista e o outro, a Bíblia, propõe outra sociedade no lugar dela, uma sociedade sem classes onde as pessoas são livres, iguais, santas e irmãs. A Bíblia mostra como isto já foi feito duas vezes: no AT - Projeto da Terra Prometida - e no NT - Projeto do Reino de Deus -, portanto a sociedade sem classes é possível, viável e irreversível.

Foi a sociedade de classes escravocrata que crucificou Jesus no Gólgota. Toda sociedade de classes é inimiga de Jesus Cristo, porque ela impede de amar o próximo como a si mesmo e o amor a Deus acima de tudo (Mc 12.29-33), por causa de sua essência: a exploração e a expropriação de classe alicerçada na propriedade privada dos meios de produção e no Estado. Como o patrão vai amar o peão se ele o explora diariamente. Extorquir diariamente o mais-valor do peão não é amor, nem é amor construir um instrumento de repressão sobre as classes subalternas, que é o Estado. A prática é o critério da verdade. O sistema da sociedade de classes impede a prática do amor ao próximo. Não pode haver amor ao próximo na luta de classes permanente entre patrões e peões. Amar ou explorar o próximo não é uma questão de decisão individual é o sistema que obriga a pessoa a seguir as leis do mercado ou ela vai à falência. As leis do mercado são claras: o lucro é o objetivo e ele surge da exploração das classes subalternas pela expropriação do mais-valor gerado pela peonada. Sem esta expropriação das classes subalternas o capitalismo não funciona. Esta é a sua essência. Esta essência impede o amor ao próximo. Quem defende o capitalismo é inimigo de Jesus Cristo. Na sociedade de classes sempre há a luta de classes.

Marx e Engels[3] escrevem que

 

Até hoje, a história de toda sociedade é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz — em suma, opressores e oprimidos sempre estiveram em oposição, travando luta ininterrupta, ora velada, ora aberta, uma luta que sempre terminou ou com a reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou com o ocaso conjunto das classes em luta.

 

Lênin[4] no texto sobre Karl Marx escreve

 

“A grande ideia fundamental - escreve Engels - segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um conjunto de coisas acabadas, mas como um conjunto de processos em que as coisas, aparentemente estáveis, bem como os seus reflexos mentais no nosso cérebro, os conceitos, passam por uma série ininterrupta de transformações, por um processo de gênese e de perecimento, esta grande idéia fundamental penetrou, desde Hegel, tão profundamente na consciência corrente que, sob esta forma geral, quase já não encontra contraditores. Mas reconhecê-la em palavras e aplicá-la na realidade concreta, em cada domínio submetido à investigação, são duas coisas diferentes”. “Nada há de definitivo, de absoluto, de sagrado para a filosofia dialética. Ela mostra a caducidade de todas as coisas e para ela nada mais existe senão o processo ininterrupto do surgir e do perecer, da ascensão sem fim do inferior para o superior, de que ela própria não é senão o simples reflexo no cérebro pensante”. Portanto, para Marx, a dialética é a ciência das leis gerais do movimento tanto do mundo exterior como do pensamento humano.

 

Hegel[5] afirma: "O verdadeiro é o todo. Mas o todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.” Por isso precisamos ter uma visão do todo do capitalismo como da Bíblia. Quem não vê a totalidade não entende as partes, pois as partes se explicam pela totalidade. Só se entende direito o texto bíblico (a parte) se a gente conhece o todo (Projeto de emancipação da Humanidade da sociedade de classes), pois o todo condiciona as partes. A Bíblia é uma totalidade composta por duas totalidades: o AT e o NT, que por sua vez se compõem de outras totalidades, que são os livros que compõe cada Testamento, que por sua vez são compostos por muitas outras totalidades que são as perícopes (textos bíblicos), nas quais aparece o movimento das contradições, dos avanços, dos recuos, dos conflitos da luta de classes da sociedade que gerou estes textos. A visão do todo facilita o entendimento das partes, das perícopes.

Lukács[6] lembra “A categoria da totalidade, o domínio universal e determinante do todo sobre as partes constituem a essência do método que Marx recebeu de Hegel e transformou de maneira original no fundamento de uma ciência inteiramente nova”. Segundo Enrique Dussel[7]: "O método dialético consiste em situar a "parte" no "todo", como ato inverso ao efetuado pela abstração analítica". “A categoria de totalidade, a penetrante supremacia do todo sobre as partes, é a essência do método que Marx tomou de Hegel” nos diz Boron[8]. Esta é a tese central do marxismo.

 

Estrutura do capitalismoSociedade de classes baseada na propriedade privada dos meios de produção, circulação e distribuição que gera as classes sociais: proprietários e não proprietários, que estão em luta de classes permanente por causa da exploração e da expropriação de classe, tudo legitimado pelo Estado e pela ideologia. A base do capitalismo é a propriedade privada dos meios de produção e o Estado, construído pela classe proprietária em defesa de seus interesses de classe.

Três classes básicas: Trabalhadora, Camponesa, Capitalista e Povos originários.

Luta de classes permanente entre as classes em conflito.

Tripé do capitalismo: Propriedade Privada – trabalho assalariado – concorrência. Este tripé será derrotado pelo Tripé do Movimento de Massas: 1) Trabalho de Base, 2) Formação e 3) Lutas, composto pelos Partidos políticos de esquerda (comunistas), pelo Movimento Sindical, pelo Movimento Popular, pelo Movimento Popular Específico (mulheres, negros, indígenas e comunidade LGBTQIA+), pelas ONGs de esquerda, pelo Movimento dos povos originários e quilombolas e pelos setores de esquerda das Igrejas.

A classe não proprietária é obrigada a se prostituir ao vender seu corpo por salário para gerar prazer para o patrão pelo mais-valor produzido.

Coggiola[9] diz que

 

O salário mantém a ficção de que o capitalista comprou apenas as operações da máquina, quando o que comprou, na verdade, é a própria máquina, a força de trabalho do operário, que deixou de lhe pertencer pelo período em que a vendeu ao capital, por ser aquela uma mercadoria que possui a característica única de criar mais valores do que aqueles necessários para produzi-la (e reproduzi-la): a diferença entre essas duas magnitudes é a mais-valia embolsada pelo capitalista.

 

Objetivo do capitalismo: Lucro pela produção do mais-valor pelas classes subalternas pela produção de mercadorias.

 



No estágio atual o capitalismo se reproduz principalmente pela especulação financeira a nível global.

Estado como instrumento da classe capitalista para legalizar a repressão, a exploração e expropriação de classe.

Ideologia (jeito de pensar produzida pela classe capitalista imposta ao povo para legitimar o capitalismo) para manter a ordem imaginada pela classe capitalista.

Religião (cristianismo) como aparelho ideológico do sistema. “Hegel afirmava que a "religião é o fundamento do Estado"”[10], capitalista, é claro. A religião sempre defende o Estado, o Evangelho quer extinguir o Estado e a estrutura de classes que o construiu (Rm 12.2; Js 8; Ap 18).

Pequena burguesia conservadora local é o longo braço estendido do capital internacional no Município que controla todas as instituições locais, também as Igrejas.

Segundo Nancy Fraser[11] o termo capitalismo é usado para representar um tipo de sociedade e um "sistema econômico baseado na propriedade privada e em trocas comerciais, no trabalho assalariado e na produção que visa o lucro", mas ela ainda amplia estes conceitos afirmando que o

 

“Capitalismo” ... designa ... uma ordem social que autoriza uma economia movida pelo lucro a predar os apoios extraeconômicos de que necessita para funcionar: a riqueza expropriada da natureza e dos povos sujeitados; as múltiplas formas do trabalho de cuidado, que enfrenta uma desvalorização crônica — isso quando não é inteiramente rejeitado —; os bens e os poderes públicos que o capital exige e, ao mesmo tempo, tenta restringir; a energia e a criatividade do povo trabalhador.

 

Nancy Fraser[12] em artigo: O que é capitalismo? diz:

 

O capital depende, em suma, da “natureza” – primeiro, das substâncias específicas apropriadas diretamente pela produção; e segundo, das condições ambientais gerais, tais como ar respirável, água potável, solo fértil, níveis do mar relativamente estáveis, um clima habitável e assim por diante. ... Pela sua própria concepção, a sociedade capitalista incentiva os proprietários a tratar a natureza como um tesouro “não econômico” inesgotável, disponível para ser apropriado infinitamente, sem necessidade de reposição ou reparo, na suposição de que ele se autorregenera.

 

Federici[13] diz que “o corpo é a última fronteira do capital, ... mulheres produzem pessoas para o trabalho e para serem soldados. ... Essa tem sido a tarefa atribuída às mulheres: produzir para o mercado e produzir as pessoas”. Produzir as pessoas para o mercado. Leopoldina Fortunati[14] acrescenta

 

As mulheres não estão apenas no centro da vida, mas também são cruciais para o funcionamento deste sistema econômico. Consequentemente, não é possível mudar o mundo, revolucionar o sistema, sem incluir, aliás, sem dar destaque às mulheres. As mulheres são sujeitos políticos: elas detêm o poder mais forte e radical para a transformação da sociedade, porque a produção e a reprodução da mercadoria mais preciosa para o sistema capitalista — a força de trabalho — dependem delas.

 

Para dentro desta realidade lemos a Bíblia, que exige ruptura com esta realidade. Dentro desta estrutura capitalista temos a conjuntura brasileira. A estrutura é sempre a mesma: a sociedade de classes alicerçada na propriedade privada dos meios de produção garantida pelo Estado, o que muda é a conjuntura internacional, nacional e local determinadas pela luta de classes.

 





Precisamos aprender a conhecer a estrutura do capitalismo e aprender fazer análise de conjuntura da América Latina, do Brasil, de nosso Estado da Federação, do nosso município e da Igreja à qual pertencemos.

 




Leitura europeia da Bíblia

A leitura parcial classista capitalista colonialista patriarcal política étnica ideológica cultural europeia da Bíblia é o referencial na Igreja. A Bíblia é interpretada na Igreja a partir desta leitura. Fomos educados nesta leitura como sendo a única leitura da Bíblia e da realidade possível, como uma leitura neutra da Bíblia. Não existe leitura neutra, não parcial, não classista, não étnica, não cultural, não ideológica, não política e não sexista da Bíblia. As filosofias do capitalismo: idealismo, cartesianismo, positivismo e liberalismo condicionam a nossa leitura bíblica. Marx lembra: “O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral.”

O papel da Bíblia é ser teoria revolucionária de Deus, que anuncia a emancipação da humanidade pela construção de uma sociedade sem classes, através das classes subalternas, as escolhidas por Deus, pela extinção da propriedade privada dos meios de produção e do Estado, e anuncia o fim da morte eterna. A periferia colonizada anuncia um novo projeto de sociedade e constrói a sociedade sem classes e anuncia o fim da morte eterna através de Jesus Cristo. A libertação vem da periferia colonizada, a escolhida por Deus desde o AT, para emancipar a Humanidade da sociedade de classes. Do centro do poder imperial só vem opressão, também hoje é o que mostram as tarifas impostas pelo Trump.

O Evangelho de Jesus Cristo é a teoria revolucionária anticolonialista, anticlassista e antipatriaracal do Reino de Deus concebida pelo indígena da classe camponesa palestina. É a voz do colonizado vencido e saqueado que propõe uma sociedade não classista, não colonialista e não patriarcal que o sistema procurou silenciar na cruz. As vozes e os projetos de sociedade dos colonizados precisam ser silenciados. A Bíblia é o grito do colonizado saqueado que se recusa ao silêncio ao propor uma sociedade sem classes como projeto anticolonialista. A forma de silenciar esta voz colonizada rebelde e insurgente é a leitura colonialista europeia da Bíblia. O colonizador diz ao colonizado como Deus é e como a Bíblia deve ser lida segundo a visão e os interesses do colonizador. Isto ele chama de uma leitura neutra da Bíblia e a pura pregação da Palavra de Deus como Lei e Evangelho.

Aprendemos que Deus é conforme a construção europeia capitalista colonialista patriarcal e étnica de Deus. As pinturas de Jesus são de um europeu branco. Jesus era um indígena sem terra artesão civil leigo palestino asiático da classe camponesa crucificado pelo colonialismo escravocrata europeu. Em Jesus de Nazaré Javé se fez classe camponesa colonizada vencida para acabar com a sociedade de classes, esta é a opção, o lado e o partido de Javé. Agora os colonialistas europeus, que crucificaram Jesus, nos dizem quem é Jesus e como é seu Evangelho. Na Conquista usaram a cruz como espada para impor o colonialismo escravocrata. Aprendemos a ler a Bíblia segundo a construção capitalista colonialista europeia de Deus. A Bíblia surgiu na luta de classes contra a construção colonialista da sociedade, ela é anticolonialista, anticlassista e antipatriarcal (hoje antiimperialista). A pura pregação da Palavra de Deus está conspurcada pela leitura capitalista colonialista europeia que legitima a expropriação de classe. A palavra que liberta virou palavra que escraviza e esconde o projeto de Deus que quer libertar a humanidade da sociedade de classes e da morte eterna. O projeto concreto de libertação da humanidade é espiritualizado e individualizado para não ameaçar a sociedade de classes. A teoria revolucionária de Deus, a Bíblia, virou “ópio religioso que embrutece o povo”, segundo Lênin[15]. A Bíblia está permanentemente em disputa dentro da luta de classes. E como disse o bilionário Warren Buffett[16] “a luta de classes existe, mas é a minha classe, a classe rica que está fazendo a guerra, e nós estamos ganhando”.

A classe capitalista controla administrativa e teologicamente a Igreja através da pequena burguesia conservadora urbana e rural local que administra as comunidades e paróquias impondo a leitura colonialista europeia da Bíblia. A pequena burguesia conservadora urbana e rural local é o longo braço estendido do capital internacional no local, que ao defender seus interesses econômicos, políticos e ideológicos locais ao mesmo tempo defende o capitalismo como tal. A pequena burguesia são os capitalistas com pouco capital que trabalham ao lado de seus peões, além de profissionais liberais e alguns funcionários do Estado melhores remunerados. Os capitalistas impõem a sua leitura da realidade e da Bíblia como a única possível com o objetivo de evitar fissuras no tecido social e garantir a extração do mais-valor de seus peões. A Igreja não se dá conta disso porque vive no Cativeiro Capitalista iludida pela leitura capitalista colonialista imposta pelo capitalismo europeu-estadunidense.

Ex: Gn 11.1-9 + Mt 25.14-30 - Leitura colonialista europeia.

Para entender a Bíblia tem que estudar Economia Política e Marxismo para ter uma visão do todo, de totalidade.

É a economia que rege a teologia, pois o processo do Êxodo começa pela economia (trabalho escravo e latifúndio) e culmina com uma nova economia: a sociedade sem classes alicerçada na posse, controle e usufruto coletivo dos meios de produção (Nm 26.52-56) nas montanhas da Palestina. A Bíblia é resultado do processo econômico ligado à luta de classes para mudar o processo econômico que vai eliminar a sociedade de classes pela extinção da propriedade privada dos meios de produção e do Estado. No NT é a mesma coisa: a fé na ressurreição do Senhor Jesus leva à extinção da propriedade privada dos meios de produção dentro de um processo de construção de uma sociedade sem classes onde as pessoas são irmãs, livres, iguais e santas, que Jesus chama de Reino de Deus (At 4.32-37). A teologia está intimamente ligada à economia política, por isso é fundamental estudá-la.

No NT a economia escravista colonialista (controlada pelo latifúndio) crucifica Jesus através do Estado, instrumento da economia, e a reação de Deus é ressuscitar Jesus com o corpo para mostrar que o processo econômico escravista foi vencido, pois agora vale um novo processo econômico: a sociedade sem classes onde a propriedade privada dos meios de produção foi extinta como exigência da vida eterna e do discipulado de Jesus (Mt 19.16-22) e como testemunho da ressurreição do corpo de Jesus (At 4.33). A fé na ressurreição de Jesus Cristo leva à construção de uma sociedade sem classes. A fé na ressurreição de Jesus Cristo exige a ruptura com a sociedade de classes que crucificou Jesus e continua crucificando as classes subalternas.

Hoje isso continua da mesma forma é a economia que rege a teologia: é a pequena burguesia conservadora urbana e rural, para defender seus interesses econômicos, políticos e ideológicos individuais locais, que controla a administração das comunidades e das paróquias e com isso impõe a sua teologia: a teologia do deus Capital com máscara de Jesus Cristo, para garantir a reprodução do capitalismo a nível mundial. Por isso a Igreja vive no Cativeiro Capitalista onde somente a leitura capitalista colonialista europeia da Bíblia é permitida e é entendida como a pura pregação da Palavra de Deus. Quem fizer outra leitura da Bíblia vai para a cruz como Jesus. Não literalmente, mas é expulso da paróquia como um maldito herege por blasfemar contra o deus Capital com máscara de Jesus Cristo. Atacar o capitalismo é como atacar a Jesus Cristo. A prática dos adoradores é o critério da verdade: vivem conforme as dinâmicas opressoras do deus Capital, afirmando que só o capitalismo é possível, e dizendo que crêem em Jesus Cristo. O testemunho não condiz com a prática, portanto é falso e mentiroso.

 

A Chave de Leitura da Bíblia.

Onde está o ‘todo’ da Bíblia? Nos credos que expõem a essência da fé em Deus: O Projeto Político Revolucionário de Deus para emancipar a Humanidade da escravidão da sociedade de classes e da escravidão da morte eterna. Lukács[17] lembra “A categoria da totalidade, o domínio universal e determinante do todo sobre as partes constituem a essência do método que Marx recebeu de Hegel”.

Hegel[18] afirma: "O verdadeiro é o todo. Mas o todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.” Os credos são um resumo da fé em Deus e revelam o Projeto Político de Deus para a Humanidade. A Bíblia tem que ser lida sob a luz dos credos bíblicos que nos mostra o todo do Projeto Político Revolucionário de Deus para a Humanidade. A Bíblia, produzida dentro do processo histórico da luta de classes pelas classes colonizadas vencidas, é a teoria revolucionária de Deus para animar na luta contra a sociedade de classes no processo de construção de uma sociedade sem classes, que Jesus chama de Reino de Deus. A Bíblia é o Projeto da voz dos colonizados contra os colonizadores, ela é anticlassista, anticolonialista e antipatriarcal.

 

Os Credos bíblicos:

Nós éramos escravos de Faraó, no Egito, mas o SENHOR nos tirou de lá com mão poderosa. Diante dos nossos olhos o SENHOR fez sinais e maravilhas, grandes e terríveis, contra o Egito e contra Faraó e toda a sua casa. Ele nos tirou do Egito, para nos trazer e nos dar a terra que, sob juramento, prometeu aos nossos pais. Dt 6.21-23

Antes de tudo, entreguei a vocês o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. 1 Co 15.3-4

 

Os dois credos mostram a exigência de ruptura pela insurgência contra a sociedade de classes:

- Êxodo rompe com a sociedade de classes ao enfrentar o Estado (egípcio e palestino) e o elimina e constrói a posse e o usufruto coletivo dos meios de produção: a terra, e com isso a liberdade. Só há liberdade se os meios de produção são de posse, controle e usufruto coletivo.

- Cruz/Ressurreição rompe com a sociedade de classes, que crucificou Jesus, ao enfrentar o Estado e o Templo do Estado com a ressurreição de Jesus Cristo. Deus reverte uma ordem do Estado ao ressuscitar o corpo de Jesus da morte. A comunidade como testemunho da ressurreição de Jesus elimina a propriedade privada dos meios de produção e com isso a sociedade de classes. A fé e o testemunho da ressurreição de Jesus Cristo leva à construção de uma sociedade sem classes, que Jesus chama de Reino de Deus.

 

Nos dois credos a classe camponesa é o instrumento usado para a libertação da escravidão da sociedade de classes e da escravidão da morte. Não basta libertar da escravidão da sociedade de classes se persiste a escravidão da morte. Deus quer a libertação total da humanidade. No AT a classe camponesa egípcia e palestina e no NT a classe camponesa palestina através do indígena camponês sem terra artesão leigo civil anticolonialista Jesus de Nazaré, o Cristo, são o caminho usado por Deus dentro da luta de classes para acabar com a sociedade de classes. Paulo fala da opção de Deus pelas classes subalternas: “Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;” 1 Co 1.28.

A luta de classes produziu a Bíblia: classe camponesa contra as classes proprietárias: a classe-Estado e a classe escravocrata, como teoria revolucionária de Deus dentro da luta de classes para eliminar toda sociedade de classes em todos os tempos.

 

A origem da Bíblia está no processo histórico da luta de classes contra o colonialismo (egípcio e romano) nos contam os credos bíblicos: (AT - Dt 6.20-23: Êxodo e NT - 1 Co 15.3-4: Cruz/Ressurreição). Um credo apresenta a essência da fé: cremos num Deus que se insere no processo histórico da luta de classes para eliminar a sociedade de classes pelas classes subalternas, no já agora, até a ressurreição do corpo, no depois. A inserção de Javé na luta de classes produziu a Bíblia. A Bíblia é o resultado da luta de classes porque quer acabar com a sociedade de classes, é o que dizem os credos bíblicos, que nos dão uma visão do todo, de totalidade do Projeto de Deus para emancipar a Humanidade da sociedade de classes. Os credos revelam o seu cerne anticolonialista, anticlassista e o NT acrescenta o antipatriarcalismo da Bíblia (Gl 3.28). Nos credos a Bíblia mesma se interpreta. O credo é um resumo da essência do conteúdo da fé em Deus e da Bíblia. As perícopes da Bíblia devem ser lidas sob a luz dos conteúdos destes credos, assim se situa a "parte" no "todo". É o todo que explica as partes dentro de suas contradições. Ao se entender o todo (o Projeto revolucionário de Deus para emancipar a humanidade da sociedade de classes e da morte eterna) as partes, as perícopes, vão liberar conteúdos não vistos antes.

As pessoas perdedoras, as vencidas, as massacradas, as desprezadas, as marginalizadas, as da periferia da periferia, as não cidadãs são os as atrizes e atores da Bíblia que se tornaram vencedores, pois seus sonhos e esperanças vivem até hoje no novo projeto de sociedade construído a partir da luta de classes na qual estavam inseridos que está no texto Bíblico. A classe dominante treme apavorada diante deste projeto da sociedade sem classes que Deus constrói a partir das lutas de resistência destes atores sociais, que aparentemente vencidos apontam para a vitória de sua luta a ser construída pelas classes subalternas no futuro. Este fantasma ronda a classe dominante até hoje. Por isso esta, por uma questão de sua própria sobrevivência, precisa calar a voz destes vencidos e colonizados, acabar com seus sonhos e esvaziar este Projeto de Deus construído a partir das pessoas colonizadas do passado, do presente e do futuro. Desde quando Deus age através dos vencidos? gritam os opressores. Três mil anos e este Projeto que germinou nas lutas de classes do passado continua rondando pelo mundo e tirando o sono dos opressores, que não vacilam em matar para manter a sua hegemonia sobre a sociedade de classes e para esvaziar o sonho de Deus para a humanidade: uma sociedade sem classes de pessoas livres, iguais, irmãs e santas. A classe dominante não pode admitir que Deus constrói o seu Projeto para a Humanidade a partir dos vencidos da periferia do mundo, que com isso se tornam vencedores. Por isso é fundamental para ela controlar a leitura da Bíblia para afastar este fantasma que ronda o nosso mundo: a sociedade sem classes, que segundo Deus é irreversível. Por isso até hoje soa o grito: “Proletários de todos os países, unam-se!” Deus está convosco! Javé é o motor da luta de classes.

 

O Projeto Político emancipatório da Terra Prometida.

O Programa Classista de Luta Revolucionária de Javé no AT, segundo o credo histórico da classe camponesa sem terra hebreia (hapiru) escrava em Dt 6.20-23 (Dt 26.5-9), se caracteriza por Javé ter iniciado (Êx 3.7-9) a organização do processo de libertação dos camponeses sem terra escravos hebreus (uma classe social, não uma etnia) a partir da motivação das lideranças dos camponeses escravos (Êx 3.16) para enfrentar o Estado colonialista egípcio (Êx 5), cuja classe politicamente dominante controlava a terra (Gn 47.13-26) e a religião (Gn 47.22, 26). Javé motivou e animou a organização e a resistência dos camponeses sem terra escravos hebreus (Êx 3) e conduziu com mão forte (Êx 3.19) o processo da luta de classes (Êx 7-11), a partir, com e ao lado da classe camponesa, para garantir a saída desta da escravidão do Egito (Êx 1-15). Depois, após uma peregrinação no deserto, que serviu como processo de aprendizagem, se construiu a Revolução Agrária que conquistou a Terra Prometida nas montanhas da Palestina (Js 6-8; Jz 1) ao tomar o poder político das cidades-Estado e extinguir o Estado (Js 8). Após essa ação se construiu uma sociedade sem classes sociais de pessoas livres alicerçada no controle, na posse e no usufruto coletivo da terra pelas tribos (Nm 26.52-56) ao extinguir a propriedade privada da terra (Lv 25.23; Sl 24.1), garantindo a liberdade do povo. Ao extinguir o Estado (a cidade-Estado), com o fim da propriedade privada da terra e das classes sociais, é destruído também o templo da cidade, como religião do Estado, e foi construído apenas um altar (Js 8.30) com pedras não trabalhadas com o ferro, a tecnologia do ferro era dominada pelos cananeus (1 Sm 13.19-21). O altar dedicado à Javé não deve ser conspurcado pela tecnologia dos povos cananeus das cidades-Estado adoradores de Baal, pois eram sociedades de classes. Apesar de que, depois como antes, o chamado Povo de Israel pela monarquia, era politeísta (2 Cr 34.3-7; 2 Rs 23.4-20; Js 24.2, 15). O Poder Popular é exercido na Assembleia Popular (Nm 27.1-11).

 

O Projeto Político emancipatório do Reino de Deus.

A leitura classista, política e unilateral do NT, a partir da cruz de Cristo (1 Co 15.3-4) e do ponto da vista das classes subalternas, espoliadas e colonizadas pelo Império escravocrata Romano e pelo Templo de Jerusalém (1 Co 4.9-13; 2 Co 11.21-33), mostra que o Evangelho anunciado e vivido pela Igreja de Jesus Cristo, a partir da comunhão dos santos, propõe uma sociedade sem classes sociais (Mt 23.8; Gl 3.28 [não pode haver ... nem escravo nem liberto]; 1 Ts 5.25-27; Gl 5.1; Cl 3.9-11; Lc 4.18) onde as pessoas são irmãs, iguais e livres. Isso se viabiliza pela extinção da propriedade privada dos meios de produção com a autoexpropriação dos expropriadores - a classe proprietária - (At 4.32-37; 2.42-47) como exigência da vida eterna e do discipulado de Jesus Cristo (Mt 19.16-22). Junto se extingue a opressão, a exploração e a expropriação de classe (Mt 25.14-30), não há mais opressão cultural, étnica e de gênero e o patriarcado é extinto (Gl 3.28; Cl 3.9-11). Esta nova sociedade sem classes, construída pelas novas criaturas (2 Co 5.17) sob a orientação de Jesus Cristo se chama de Reino de Deus (Lc 4.43; 16.16; Lc 17.20-21). Ali não tem Estado (Mc 1.1; Rm 13.8; Ap 18; 21-22) e nem templo, como Religião do Estado (Mt 24.1; Jo 2.19-22; Ap 21.22), mas tem o sacerdócio geral de todos os santos (1 Pe 2.5,9). O Poder Popular é exercido na Assembleia Popular: At 6.1-7; At 15.

 

O todo.

A Bíblia (AT - Antigo Testamento e NT - Novo Testamento) tem um projeto político revolucionário planetário central fixado nos credos (confissões de fé) bíblicos (AT - Dt 6.20-23: Êxodo e NT - 1 Co 15.3-4: Cruz), o todo (o grande guarda chuva debaixo do qual estão os livros e os textos bíblicos, condicionados por este todo), que é: emancipar (salvar, libertar) a humanidade da sociedade de classes (hoje o capitalismo), pois ela é geradora da morte em vida pela exploração, pela expropriação, pela escravidão de classe e pela destruição da criação de Deus. A sociedade de classes está alicerçada no pecado estrutural (Mt 1.21) da propriedade privada dos meios de produção (terras do latifúndio, fábricas, minas, máquinas – Gn 47.13-26; 1 Rs 21[1-3]; Lv 25.23), de circulação (empresas de transporte de carga e de pessoas) e de distribuição (grande comércio, mercados, bancos) controlados pelos patrões, hoje a classe capitalista. A propriedade privada dos meios de produção gera as classes sociais (proprietários [patrões] e não proprietários [peões]), que se envolvem numa luta de classes permanente, resultado da exploração, da expropriação e da repressão de classe e da opressão política sobre as classes subalternas (trabalhadores e camponeses e povos originários). A classe proprietária (os patrões) construiu o Estado, para a defesa de seus interesses de classe, e gerou ainda o patriarcado (dominação do homem sobre a mulher que criou a desigualdade e a opressão de gênero) e as injustiças e as ganâncias (Am 2.6-8), que derivam de uma sociedade de classes. Esta emancipação da sociedade de classes proposta pela Bíblia, é para o já agora (essa é a insurgência bíblica), e, para o depois, a Bíblia propõe salvar, por graça e fé (Ef 2.8), a humanidade da morte eterna pela ressurreição do corpo para a vida eterna do corpo ressurreto (1 Co 15), como consta nos credos da fé bíblica (AT - Dt 6.20-23 e NT - 1 Co 15.3-4).

Todo o processo do Êxodo, descrito no credo de Dt 6.20-23, compreende a luta de classes no Egito (Gn 47.13-26; Êx 3; 5), não só contra o Estado egípcio, mas contra o modo de produção tributário no Egito e na Palestina, no processo da caminhada pelo deserto, como processo de aprendizagem e acúmulo de forças, que culmina com a tomada do poder político do Estado e sua extinção pela classe camponesa (Js 8) e a consequente conquista da terra, pela extinção da propriedade privada da terra (Lv 25.23), como posse, controle e usufruto coletivo, pela tribo, (Nm 26.52-56) e com isso a conquista da liberdade. A liberdade se conquista com o fim da sociedade de classes. O credo mostra o que Deus quer para a humanidade hoje: extinguir a sociedade de classes pela extinção da propriedade privada dos meios de produção, do Estado e do patriarcado.

 

Para viabilizar o Projeto emancipatório de Deus a Bíblia, como teoria insurgente e revolucionária de Deus, propõe uma ruptura radical (não uma reforma social democrata, mas uma revolução – Dt 6.20-23; Js 8) com a sociedade de classes (Mc 1.15) através da extinção, pelas classes subalternas (Êx 3; 1 Co 1.27-28), da base de toda sociedade de classes (porque pela fé e pelo batismo somos irmão e irmã - Mt 23.8 - não patrão e peão), que é a propriedade privada dos meios de produção, de circulação e de distribuição, o pecado  estrutural (Lv 25.23; At 4.32-37; Mt 19.16-22), que geram as classes sociais (proprietários e não proprietários – Mt 25.14-30), que produzem a exploração e a expropriação de classe (1 Rs 21; 4.20-28), a opressão política (Is 1.21-23), o patriarcado (Gn 16; 21; 38), o Estado (1 Sm 8.10-18; 1 Sm 11.7, 15) e o Templo, como religião do Estado (Am 7.13). O Estado foi construído pela classe proprietária (os patrões) expropriadora das classes subalternas [as classes não proprietárias – trabalhadora e camponesa] (Gn 11.1-9; 47.13-26; 1 Sm 11[5-7]) para garantir a legitimidade e a reprodução da sociedade de classes, junto com o Templo, como religião do Estado (1 Rs 5-6; Am 7.13), como “ópio religioso que embrutece o povo”, segundo Lênin[19].

Os meios de produção, pela (auto)expropriação dos expropriadores (Mt 19.21-22) como exigência da vida eterna e do discipulado de Jesus, serão colocados sob controle, posse e usufruto coletivo, popular (Nm 26.52-56; At 4.32-37), para acabar com a exploração e a expropriação de classe, que geram a pobreza, a miséria e a desumanização do ser humano. Isso extingue a sociedade de classes, a pobreza e o caos social por ela gerado. Extingue também a exploração e a expropriação de classe e a opressão política, cultural, étnica e de gênero (Gl 3.28), junto com a violência, as desigualdades e as injustiças (Is 1.21-23) geradas por esta (hoje o capitalismo).

 

Literatura básica para baixar do site: https://pt.z-lib.fm/

Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels

Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels

Teoria econômica marxista - Osvaldo Coggiola

Capitalismo Canibal - Nancy Fraser

O Estado e a Revolução - Lênin

O Projeto Político Revolucionário Global de Deus para a Humanidade - Günter Adolf Wolff

 





[1] MARX, Karl. Prefácio à “Contribuição à Crítica da Economia Política” in Karl Marx e Friedrich Engels. Textos, vol. III. Edições Sociais. São Paulo. 1977, p. 301

[2] ENGELS. Friedrich. Prefácio à edição alemã de 1883 do Manifesto Comunista in Manifesto do Partido Comunista. Vozes. Petrópolis. 1988, p. 45-46

[3] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo. Companhia das Letras. 2012, p. 30

[4] LENINE, V.I. Karl Marx in Obras Escolhidas, vol.1. 3ª ed. São Paulo. Editora Alfa-Omega, 1986, p. 9-10, 12-13

[5] HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis/Bragança Paulista, Vozes/Editora Universidade São Francisco, 2008, p. 36.

[6] LUKÁCS, Georg. Rosa Luxemburgo como marxista in História e Consciência de classe. São Paulo. Martins Fontes. 2003, p. 105

[7] DUSSEL, Enrique. A produção teórica de Marx. Um comentário aos Grundrisse. São Paulo. Expressão Popular. 2012, p. 53

[8] BORON, Atilio A. Pelo Necessário (e demorado) retorno ao marxismo in A teoria marxista hoje. Problemas e perspectivas. BORON, Atilio A., AMADEO, Javier, GONZÁLEZ, Sabrina, Org. São Paulo. Expressão Popular. 2006, p. 47

[9] COGGIOLA, Osvaldo. História do Capitalismo - das Origens até a Primeira Guerra Mundial. São Paulo. Ariadna Universitária. 2015, p. 21

[10] DUSSEL, Enrique. 1492. O encobrimento do outro. (A origem do "mito da Modernidade"). Petrópolis, Vozes. 1993, p. 59

[11] FRAZER, Nancy. Capitalismo canibal. São Paulo. Autonomia Literária. 2024, p. 16

[12] MONTICELI, Lara. Nancy Fraser: O que é capitalismo? in https://blogdaboitempo.com.br de 24/09/2021

[13] GAMA. Thiago. O corpo é a última fronteira do capital. Entrevista com Silvia Federici in https://www.ihu.unisinos.br de 29/06/2026

[14] FORTUNATI, Leopoldina. El arcano de la reproducción Amas de casa, prostitutas, obreros y capital. Madrid. Traficantes de Sueños. 2019, p. 14-15

[15] LENINE, V.I. O estado e a revolução in Obras Escolhidas, vol 2. São Paulo. Editora Alfa-Omega. 1980, p. 277

[16] COMUNELLO, Patrícia. Uma sociedade menos desigual é melhor para todos, diz professor Cattani in https://cpca.org.br/ma-sociedade-menos-desigual-e-melhor-para-todos-diz-professor-cattani/ de 04/04/2018

[17] LUKÁCS, Georg. Rosa Luxemburgo como marxista in História e Consciência de classe. São Paulo. Martins Fontes. 2003, p. 105

[18] HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis/Bragança Paulista, Vozes/Editora Universidade São Francisco, 2008, p. 36.

[19] LENINE, V.I. O estado e a revolução in Obras Escolhidas, vol 2. São Paulo. Editora Alfa-Omega. 1980, p. 277