1 de outubro de 2010

Comentários esparsos

Gostaria de comentar sobre o pacote da subsistência para obreiros/as que vai para o Concílio. No Pacote está inserido o chocolate e o limão. Por isso não dá para votar o pacote como um todo, tem que votar cada coisa de forma separada. O pacote vai quebrar o valor da Subsistência Básica e vai abrir a possibilidade de reduzir a subsistência básica para a metade, nos casos especificados do pacote. Isto é uma exigência do Encontrão. Sabemos que na igreja a exceção vira regra. É a flexibilização enrolada no pacote. No pacote tem coisa boa, mas tem a flexibilização enrolada no meio. Quem vai para o concílio tem que exigir a votação por partes.
Conhecemos nossas comunidades. Lá pelas tantas vão aparecer com o argumento que são pobres e coisa e tal e vão querer baixar a subsistência básica. Isto vai levar a algo parecido como havia nos anos 50 onde o pastor negociava com a paróquia a sua subsistência, vai virar negociata e fortalecer a desigualdade já reinante pelos abonos.
Em relação aos pastores que ficam muitos anos na paróquia foi o mesmo. Levou anos e por causa da exceção surgiu uma regra que são as leis do TAM que são os processos repressivos camuflados que temos e que foram instituídos pela direita que manda na igreja e que conseguiu empurrar goela abaixo a reestruturação em Ivoti onde só tinha cartão verde para votar (me disse alguém que esteve lá), além de se dizer na abertura do Concílio: "Viemos aqui para aprovar a reestruturação". A reestruturação faz parte do projeto neoliberal de compreender o mundo, é a adaptação à esfera eclesial. Assim como o neoliberalismo quebrou em 2008 a reestruturação vai quebrar, já está dando água. A reestruturação era a luta contra a Teologia da Libertação dentro do processo global de enfraquecer qualquer projeto que se opunha ao capitalismo e ao pensamento único. Claro, tudo muito camuflado, o que a ideologia explica.
Este pessoal que conseguiu passar a reestruturação encara os pastores/as como inimigos e como uma ameaça em potencial à instituição e por isso precisam ser controlados e dominados. Para controlá-los a gente usa o medo e a instabilidade. Isto sempre funciona. E com isto também se controla a pregação do Evangelho. A pregação pura e reta do Evangelho foi para o babaus. O pessoal da reestruturação dizia e ainda diz que o Conselho da Igreja cuida da administração para deixar o pastor presidente cuidar do pastoral e do teológico (no sínodo o pastor sinodal vai ser o pastor dos pastores; alguém sabe me dizer em qual sínodo isto aconteceu? em que o pastor sinodal é o pastor dos pastores? tem tempo para os pastores/as? cuidar de suas feridas e tal? Como diz a Ana: Quatsch!). Nós sabemos, no entanto, que quem cuida do administrativo-financeiro dá a linha teológica. Como os últimos dois Conselhos da Igreja em sua maioria eram de direita, eram conservadores (12 a 13 dos 18) então as suas decisões "administrativas" eram tomadas a partir de uma postura teológica conservadora, pois não existe "neutralidade teológica" e nem decisões administrativas financeiras que não partam de uma postura e compreensão teológica. Fomos enrolados por falta de fazer análise de conjuntura periódica. Chega-se ao cúmulo de fazer um concílio e assembléias sinodais sem primeiro se fazer análise de conjuntura nacional e eclesial, como se nós vivêssemos fora do mundo ou numa redoma de cristal onde o pensamento hegemônico do mundo não nos afetasse. Mas, fazer análise de conjuntura pode ferir os brios da direita, revelar suas propostas e por isso não se faz isto. Isto seria fazer política; então se faz política não fazendo política, sofrendo política. Na igreja não se pode fazer política abertamente, então se faz isto de forma camuflada escondendo as reais intenções. Isto tem nome: farisaísmo! Falamos em fazer missão (Missão de Deus Nossa Paixão como se Deus se tivesse feito pessoa em Jesus no espaço sideral, lá na Galáxia Andrômeda a 2 milhões anos luz de distância, e não na Palestina ocupada pelo Império Romano, no tempo de César Augusto, aliado do Templo de Jerusalém) [no documento oficial Missão de Deus Nossa Missão tem uma análise da realidade, mas isto não se faz quando se planeja a missão no sínodo e na paróquia porque isto poderia revelar o processo de espoliação á que a classe trabalhadora está sujeita e como esta espoliação acontece a nível municipal pelos grupos que detém o poder político-econômico] e falamos em planejamento estratégico sem fazer análise de conjuntura eclesial e nacional. Exatamente porque o mundo envolvente nos afeta é que não se faz análise de conjuntura, para que o pensamento da direita prevaleça, encoberto de uma névoa de neutralidade, de harmonia e de sinceridade. Quatsch! Mas, como se disse no Concílio de 2006 em Panambi: "Na igreja não tem corrupção!" porque eu disse que o abono induz à corrupção e à venda do Evangelho. Coitado de quem acredita nisso. Quem acredita que na igreja não tem corrupção nunca leu o apóstolo Paulo. Se criou o esquema do dízimo porque o sistema de cotas era totalmente corrupto com sonegação e tudo mais e hoje as comunidades já estão sonegando o dízimo, principalmente das festas, bailes, almoços, mesmo este sistema sendo mais barato para os membros que o sistema de cota que era 30% mais alto que o atual sistema.
Nosso problema é que não temos o costume de fazer análise de conjuntura eclesial e nem político-econômico e por isso não entendemos, na época de 1997, o esquema que estava por de trás do movimento da reestruturação. Como continuamos não tendo este costume de fazer análise de conjuntura vamos aprovar a quebra da SBO e abrir para o processo de flexibilização que vai facilitar e aumentar a fragmentação já existente entre pastores/as e vai aumentar a desigualdade; teremos pastores de primeira e de segunda linha. O pessoal da estrutura vai vir com mil e um argumentos, mas uma vez quebrada a SBO a flexibilização está feita. O custo disto vai ser alto. Como o custo da reestruturação foi a quebra econômica da igreja o que quebrou a EST junto, pois isto estava no plano. As conseqüências teremos num futuro bem próximo: a falta de pastores/as. À isto a reestruturação da direita nos trouxe.
Não dá para correr atrás da conversa do Laske de isolar cada coisa para si como se não tivesse vínculo com a Igreja. Todas as instituições tem vínculo com a igreja, ignorar isto é ingenuidade ou maldade. A AMA-CAF está no mesmo processo. Existe outra interpretação que diz o que já existiu antes do ano tal (não sei o ano) isto é legal. Entrar para a UNIMED vai custar o dobro e mais um pouco e vamos quebrar a fraternidade, trocá-la pela dinâmica do mercado capitalista onde os donos dela têm seu devido lucro à nossa custa. Abandonamos o auxílio mútuo e entramos no mercado, e o mercado é comandado pelos que tem o capital que vive do suor do povo. Estaremos à mercê do mercado. É só escutar os noticiários da TV para ver como os planos de saúde são problemáticos. Assim como houve a era FHC a nível de país, na igreja houve a era Laske com suas devidas conseqüências funestas. É a dinâmica da turma anticlerical da reestruturação que continua mandando na igreja que vê os/as pastores/as como inimigos em potencial que precisam ser controlados e a legislação devida já está dando resultado. Desestruturação e isolamento da pastorada, individualismo, salve-se quem puder. Por enquanto esta turma ganhou. Por enquanto, pois o mundo gira.
A APPI está esperando passar o Concílio para enviar para todos algumas questões para serem levadas à Direção da Igreja no início do ano que vem. Ou reagimos ou a patrola vai continuar patrolando. Patrolando o Evangelho do Reino de Deus inclusive.
O resultado vai ser o fortalecimento do projeto capitalista que a igreja vai continuar legitimando. Como Igreja não queremos fortalecer o capitalismo, o nosso Projeto é o Projeto de Jesus Cristo que é o Projeto do Reino de Deus que se contrapõe ao capitalismo, o mundo (Tg 4.4) ou este século, como diz Paulo em Rm 12. Por isso se fala tão pouco na igreja do Reino de Deus, pois isto agride o projeto do capital e deixa claro que não defendemos o capitalismo, mas o Reino de Deus que é o oposto do capitalismo. Falar da mensagem central de Jesus: o Reino de Deus, é uma ameaça ao pensamento único que o capital tenta impor. Falando do Reino de Deus estamos colocando uma outra proposta de organizar a vida e a sociedade toda em oposição ao capitalismo. Isto a direita quer evitar a todo o custo. Falar do Reino de Deus é subversão, por isso se fala tão pouco nele, porque somos subservientes ao capital, ao deus capital!
Atualmente a palavra IDOLATRIA se escreve em MAIÚSCULO. A nossa Idolatria é adorar o Deus verdadeiro de uma forma falsa. Adora-se Jesus Cristo, de boca para fora, mas se organiza toda a sua vida e a vida de nossa sociedade (também a vida da igreja) conforme a dinâmica do capital. Ai daquele que diz que o capital é coisa do diabo. Não se pode chamar o deus deste mundo de diabo! Que é isso? Onde é que já se viu?! Onde é que nós estamos afinal?!
Está na hora de estudarmos melhor o primeiro e o segundo mandamentos e lermos a explicação de Martim Lutero no Catecismo Menor e Maior.

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